D'ALVA e SOUZA FILHO,
Oscar
 

A IDEOLOGIA DO
DIREITO NATURAL


R. de Janeiro, ABC, 2002, 339p

 

Tenho o prazer de conhecer pessoalmente o autor deste belíssimo livro, professor de Filosofia do Direito da Universidade Estadual do Ceará e da Universidade de Fortaleza. Mais ainda, a alegria de ser seu amigo, e a honra de ter sido, por essas curiosidades que a vida docente tem, seu professor no Doutorado em Direito, nos cursos da Universidad del Museo Social Argentino. Por isso, posso falar não somente da obra, mas também do ser humano. Porque Oscar é um homem que não vai pela vida fazendo exibição inútil de sua profunda sabedoria: longe disso, trata-se duma pessoa singela, humilde, afável, sempre disposta a ler algo mais, a descobrir mais, a abrir mais uma porta... Mas não acredite-se que ele carece de força, de veemência, porque é tudo o contrario: as palavras brotam de seu coração de militante, comprometido com idéias profundas de luta social e de mudança das coisas que estão mal. Mas Oscar sente que a sua briga não é coisa de hoje, nem de ontem, nem sequer daqueles tempos épicos em que o socialismo nascia e conquistava as primeiras vitórias e ânimos, e ainda podia-se sonhar com que levaria a uma era de fraternidade sem precedentes. Não, para Oscar os grandes combates da nossa espécie são muito mais antigos em suas raízes, tão antigos como podemos saber... E nisso, como em tantas outras coisas, eu concordo com ele.

            “Critica histórica dos fundamentos lógicos e axiológicos da Filosofia do Direito Natural, da Grécia clássica à época contemporânea, na perspectiva demonstrativa de seu caráter ideológico de justificação do Direito Positivo ocidental”. Assim resume Oscar mesmo a idéia com que concebeu seu trabalho, um dos muitos livros que tem escritos (já comentarei outros mais adiante). A noção de ideologia é, pois, fundamental na sua análise. Não posso deixar de coincidir com o professor Arnaldo Vasconcelos quando, comentando a obra, diz que “a questão do Direito natural, uma das constantes do pensamento humano, ultrapassa os estreitos limites da juridicidade, indo situar-se muito além, na esfera da Antropologia filosófica, onde são tratados os problemas fundamentais do ser humano”. No que respeitosamente não concordo com esse distinguido jurista cearense, é em considerar que “o primeiro registro literário que dele temos” são os dramas de Sófocles, porque acho que já demonstrei que temos evidencias milênios anteriores ao grande escritor ateniense.

            “Oscar d’Alva entende o Direito como expressão da força do grupo ou dos grupos políticos e econômicos que efetivamente dominam a sociedade. Vê o direito como uma forma de controle social, como coação, como ordem imposta”, explica o professor Napoleão Nunes Maia Filho. Sim (desde que por Direito entendamos o ordenamento normativo, claro). E ele traça o caminho dessa visão, exatamente, partindo das expressões gregas (das quais a mais característica são sem dúvidas as palavras de Trasímaco na República platônica), até o materialismo dialético, com erudição e profundo conhecimento direto das fontes.

            Acredito, em definitiva, que estamos diante de um livro que deve ser lido. Ricardo Rabinovich-Berkman
 

CORDERO, Luis

DICCIONARIO
Quichua - Castellano
Castellano - Quichua

Quito, Corporación Editora Nacional, 2003
427p

Este famoso diccionario, el conocimiento de cuya nueva reimpresión debo al incansable editor ecuatoriano Don Luis Cevallos, es una pieza muy valiosa dentro del mosaico de obras que necesitamos en Latinoamérica, dentro de la gesta feliz que en estos días nos ha tocado vivir, de la recuperación de la autoestima, de la memoria histórica, y de las raíces culturales en general, de nuestros hermanos indígenas.

La obra de Cordero vio la luz en 1895, y tuvo seis reimpresiones. Tal vigencia habla de por sí acerca de su valor e importancia. Como explica Ruth Moya en su estudio introductorio, ha de enmarcarse ese suceso, sobre todo en los últimos lustros, dentro del Proyecto Educación Bilingüe Intercultural que lleva adelante el país andino (en cuya reciente Constitución se han reconocido el quichua y el shuar como idiomas oficiales). En ese escenario, los maestros bilingües, dice Moya, han empleado profusamente este diccionario, y lo siguen haciendo.

Cordero, erudito cuencano, gloria de la filología del Ecuador, abre este trabajo con un capítulo dedicado a las "nociones gramaticales concernientes al idioma quichua". Luego incorpora dictámenes y opiniones sobre el diccionario. Cierra, tras los vocabularios propiamente dichos, con consideraciones acerca del quichua del Azuay (el que él más dominaba), su comparación con el kechwa peruano, y finalmente numerosas poesías, muchas de ellas de contenido religioso.

Sólo puede saludarse con gozo esta reedición feliz de una obra que muestra, con su vigencia, la del eterno runarrimay, o runasimi, como prefieren llamarlo en el Perú, hablado hasta hoy, con variantes, desde la Argentina hasta el Ecuador, y al parecer con una juventud y unas ansias de futuro que hablan de cuántos amaneceres aguardan aún a la cultura de nuestros wauquicuna que lo usan para expresarse. R.D.R.-B.