UMA MENSAGEM DE NATAL

 

Paraguassú Éleres*

 

Egoísta, e vez de saudar pelo Natal, prefiro falar do “natal” que ganhei neste 2008...

 

É que ainda curuminzão de 15 anos (1953) desenhei em “craion” e “esfumaçado” uma face de Cristo (60cm x 40cm.), coloquei na moldura prateada e expus na “vitrine” do Armazém Âncora. O tempo passou, creio que vendi o quadro (sei lá), mas dele não me desliguei. De quando em vez e memória vagueia no “cristo” desenho que de vez em quando faço em guardanapo de mesa de bar, pois eu gosto da “imagem”.

 

E foi então que há dias estava eu com amigo de longa data, Roberto Oliveira que me contou ter em sua casa um quadro feito por mim e deu a data. E mais: quando em vida, sua mãe Beatriz gostava de contemplá-lo. No dia seguinte pedi para fazer “uma cópia” (xerox, scaner) do “meu quadro” mas Roberto surpreendeu-me: o quadro me seria dado e agora está na nossa sala de jantar.

 

Não se trata do objeto em si, mas é que ao retornar presenteado com ele vem parte da minha rebelde adolescência, dos anos em que “peguei porrada” da Polícia  por  participar  da   campanha “O   Petróleo  é Nosso” na criação da Petrobrás,  ou da passeata contra declaração do general Veríssimo que “O voto da lavadeira não é igual ao voto do general...”, que levou a estudantada  a protestar no “trote do calouro”...

 

Nesta mensagem no Natal de 2008, compartilho a minha alegria pelo presente que recebi de Roberto. Quem sabe, você também tem um “quadro”, um poema, um artefato, feito em épocas passadas, ou mesmo um ideal, um projeto, de construção não completada  que ainda lhe dá satisfação ao lembrar?

 

Pense nisso, pois o coração não envelhece.

                        

                                                                                                                       Belém, 24 de dezembro de 2008

 

 

 

* Prestigioso jurista brasileiro (Belém do Pará), especializado em temas agrários.