Diário de um presidiário

 

Erivan José dos Santos *

 

I

Qual é a finalidade de um presídio?

Perguntava a mim mesmo... como uma provocaćčo,

Será que a minha imagem vai aparecer no vídeo?

Vai ser bom... porque aqui todos assistem ą televisčo!

 

II

De repente eu aparećo, fico ainda mais “famoso”...

Puxa! Por que nčo pensei nisso antes? Bem que eu merecia...

O pessoal lá do morro só me chamava de “seboso”,

Ah! Vai ser uma verdadeira melodia!

 

III

Os manos da favela inteirinha me vendo lá na telinha...

E a moćada comentando, todos ligados em mim...

O sistema está falido, mas sei que a culpa nčo é só minha...

Opa! - Tive uma grande ideia - Vamos fazer um motim!

 

IV

Aqui ninguém faz nada interessante

E com essa ociosidade nunca vou me recuperar,

Quem vive detrás das grades a mente deve ocupar,

Entčo, sendo dessa forma a cadeia vai girar, avante!

 

V

Queremos reivindicar também os nossos direitos,

A fim de providenciar igualdades para os presos,

Pois, mesmo aqui na cadeia há inúmeros preconceitos,

Os presos remediados tźm privilégios coesos!

 

VI

Viemos de uma sociedade visivelmente corrupta...

E de fato a nossa casta é diferente das outras,

Nós fazemos o contrário e agimos de forma abrupta,

Mas eles sčo tčo vorazes que superam até as lontras!

 

VII

Talvez seja em razčo do grau de intelectualidade...

Pois, eles sčo da elite desta tčo grande naćčo...

E nós somos da ralé, filhos de “Maria” ou de “Jočo”,

Somos a marginalidade de um país sem igualdade!

 

 

* Jurista brasileiro