RELAES SOCIOECONMICAS E DIREITOS FUNDAMENTAIS
REDIMENSIONADOS PELO PARADIGMA CAPITALISTA MERCADOLGICO

 

Antnio Carlos de Souza Jnior[1]

 

RESUMO: O novo paradigma capitalista e a nova configurao das relaes de produo redimensionam a valorao dos fundamentais direitos sociais e econmicos da pessoa humana. Capital, sociedade e trabalho so atualmente considerados transformadores da realidade, restabelecendo os vnculos e ditando regras e estilos de vida. O novo mercado e a dinmica que este imprimiu, trouxe consigo o funcionamento da mquina estatal, que adotou o modelo neoliberal e descentralizador como modelo operacional. A lgica do novo capital altamente especulativa, voltada para o curto prazo e baseada na volatilidade do mercado, das negociaes e da prpria vida em sociedade. Resta a considerao que essa nova lgica no necessariamente benfica para todos participantes, que em questes internacionais os pases menos desenvolvidos no podem se proteger convenientemente e as comunidades internas menos favorecidas tampouco. A carncia de regulamentao quanto ao fluxo do capital transforma pessoas e sociedades inteiras em refns dessa nova ordem, onde a desregulamentao, a desvinculao social e a inalcanvel capacitao demandam cada vez mais recursos, tecnologia e informao.

 

 

1  INTRODUO

 

Um novo rearranjo na valorao dos direitos econmicos e sociais da pessoa humana se delineia no panorama global sob a perspectiva jurdica, poltica e comportamental. As novas caractersticas do capital globalizado e a flexibilizao das regras inerentes aos mercados de capitais transformam o sistema de trabalho e o fenmeno social vinculados ao lucro e s tendncias financeiras em voga. Uma breve anlise demonstra com clareza um conjunto de evolues sociais que serviram de paradigma para uma nova sociedade e uma dinmica diferente da experimentada pelo grupo social historicamente vinculado a meios de produo arcaicos sob o enfoque atual.

 

As novas formas de produo e circulao de capitais internacionalmente levam ao desvnculo do grupo social com relao aos antigos paradigmas de vnculo institucional e formas de pensar sua posio no sistema produtivo. A fluidez do capital, a desregulamentao financeira e trabalhista, leva ao deslocamento do centro de importncia das relaes humano-sociais modernas, calcadas no lucro, especulao imediatista e relativizao dos direitos. Isso reflete nas novas formas de relacionamento social, no aspecto cultural e familiar, alm obviamente das prprias relaes no ambiente de trabalho e consumo.

 

A correlao do capital em sua forma voltil atual refletida sobremaneira na caracterizao do mercado de trabalho e nas relaes trabalhistas da advindas, tornando os vnculos mais sutis e menos duradouros, fenmeno que demonstra flexibilidade por um lado e gera insegurana por outro, tanto institucionalmente como no planejamento familiar e social. Com isso observamos a desregulamentao inclusive das iniciativas governamentais, que seguem atualmente o padro de mercado para gerir a assistncia social, nos moldes liberais.

 

Tecnologia e informao veloz so palavras de ordem do novo arranjo socioeconmico atual, numa realidade de interligao e negociao em tempo real, que foge aos padres do previamente concebvel no histrico das atividades econmicas desenvolvidos ate ento. A diviso do poder global, entre naes e grupos bastante definida em razo das disparidades no tocante ao domnio das tecnologias e informaes.

 

Outras caractersticas de abordagem especfica dizem respeito ao fenmeno do mercado global, levando em conta a formao de blocos econmicos, o novo protecionismo e a construo de um possvel regime de manuteno de liderana global, num mundo cada vez mais multipolar. Uma nova ordem do capital definida com tais novas regulamentaes, ou pela falta delas em certos casos, onde instituies de regulamentao financeira tentam refrear o impulso de grupos de capital internacionais e estados vorazes por domnio no plano do comrcio internacional. Torna-se patente a necessidade de se repensar o mercado do ponto de vista utilitarista e buscar eficincia no controle.

 

Depreende-se do novo formato das instituies e das caractersticas da nova economia o fenmeno da excluso social, onde grupos e naes so abandonados prpria sorte num sistema moderno que no compatvel com seu modo de produo, ou seu estgio tecnolgico. Isso pode ser claramente observado nos grupos sociais, no mercado de trabalho, no desrespeito aos direitos socioeconmicos fundamentais e no mercado de consumo, gerando incerteza e angstia nos grupos sociais excludos do processo de evoluo econmica.

 

2  NOVAS RELAES SOCIAIS E ECONMICAS DO CAPITAL

 

O fenmeno do capital e seus reflexos sociais geram uma nova diviso do poder global, observando a participao das naes no comrcio e finanas internacionais, alm do que redimensiona os grupos de interesse internacionais que operam de forma coligada aos mecanismos polticos de influncia atravs do qual subsistem. Uma das principais fontes de mudana foi a relativamente atual transformao dos sistemas de informao e o avano veloz da tecnologia como instrumento imprescindvel para alcance global das negociaes de grande alcance.

 

  A conhecida revoluo cientfico-tecnolgica transformou de maneira muito rpida a forma de funcionamento da economia, trazendo para o contexto de vida do grupo social certos elementos at ento impensveis para caracterizao da produo, e mais que isso, impensveis at poucas dcadas para a forma de vida em grupo desenvolvida pela sociedade durante toda sua histria. Tais mudanas provocaram um impacto profundo e, obviamente, no alcanaram todos os entes sociais em condies de absorver ou desenvolver caminhos de proveito e insero em um mundo cada vez mais dinmico e oneroso. Segundo anlise de Robert Gilpin:

 

As tecnologias inovadoras, especialmente em computao e eletrnica, so importantes para toda uma srie de processos econmicos e outras atividades em muitos setores da economia. O controle de processos, a automao e o processamento automtico de dados esto revolucionando tanto a manufatura quanto os servios em todas as economias industriais; e em todas as reas a demanda de trabalho de baixa ou nenhuma qualificao diminuiu.[2]

 

Enquanto certos grupos sociais de elite e certos pases desenvolvidos se beneficiaram enormemente da situao de modernidade e investimento em capacitao e tecnologia, outros tantos no podiam, e no podem, ainda, sonhar com a participao em tais processos, uma vez que suas condies sociais, materiais e polticas no possibilitam a insero. Assim, a caracterstica primordial da nova economia parece ser a inicial excluso dos desvalidos e incapazes de minimamente se adequar nova realidade de produo, consumo e informao em tempo real.

 

O cenrio de desenvolvimento do prprio capitalismo pressupe uma evoluo constante dos meios de produo, donde o aumento da concorrncia atravs do domnio geral das tecnologias mais antigas acontece naturalmente, gera constante busca por novas formas de produo, de tecnologia e lucro atravs de domnio de novos mercados (consumidores e produtos).  At a dcada de 1990 esse fenmeno representa quase inteiramente a busca por novos mercados fsicos, novos pontos de explorao do capital e novos produtos materiais que readequam novas tecnologias no tempo econmico usual.

 

A partir de ento, as novas formas de comunicao e as tecnologias de ponta possibilitaram a criao e uso de instrumentos que inovaram os produtos e servios prestados, mormente no tocante informtica, finanas, servios sofisticados e comunicao global. Naturalmente os pases que dispunham de condies materiais e humanas para lanar ou se adequar sincronicamente ao novo campo de ao econmica foram beneficiados, no s por serem lideres tecnolgicos, mas por poderem impor as regras do jogo tecnolgico, os padres de uso e os moldes de funcionamento desse novo mercado. Desde ento, a evoluo nos meios de tecnologia superam as expectativas at mesmo dos mais otimistas, mas sempre nos moldes de explorao econmica e comercial ditado pelos instituidores e criadores da prpria necessidade de consumo de tais produtos, que pela nova estrutura observada, tornaram-se to indispensveis quanto o ar.

 

Os pases que, por carncia econmica ou desorganizao poltica e social, no conseguiram ou no puderam participar de tal revoluo tecnolgica se transformaram em excludos imediatos, no mundo de absoluta interligao econmica, social e cultural. Seus antigos modos de produo e sua cultura no so ruins em si, so diferentes, mas com a realidade distorcida criada pelos instituidores do novo capitalismo, nada alm dessa nova realidade racional ou factvel.

 

A nova modalidade de produo e consumo atrelada nova tecnologia simplesmente tornaram-se aniquiladoras. Os grupos e naes que no participam da nova cultura do capitalismo, do estilo de vida moderno e das transaes financeiras e comerciais que ditam valor a todos os bens considerados importantes no estgio atual de concepo do capital como negcio multiplicador.

 

Obviamente que tenses sociais se multiplicam em funo das disparidades entre pases e entre grupos sociais dentro dos prprios pases. Numa lgica de acumulao e imediatismo, os que detm meios acumulam faticamente lucros oriundos da prpria explorao dessas condies, enquanto desvalidos so arrastados do sistema e excludos das benesses que o novo modelo proporciona, servindo de massa de manobra ou mercado e consumo. No tocante ao acesso s novas tecnologias, certa excluso observada por Richard Sennett:

                        

A conseqncia dessa capacidade tecnolgica que a incluso das massas –o elemento do capitalismo social – pode ficar para trs. O provvel que fiquem de fora apenas os elementos mais vulnerveis da sociedade, os que desejam trabalhar, mas no dispem de capacitaes especializadas. [3]

 

 Novos modelos garantidores dos direitos sociais e econmicos devem ser repensados visando melhor distribuio e certa proteo mnima quanto aos menos favorecidos pelo sistema, tanto tratando do fenmeno interno quanto dos capitais internacionais e seu controle financeiro entre mercados eventualmente explorados.

3 O MERCADO DE CAPITAIS INTERNACIONAL E MECANISMOS DE PROTEO AOS DIREITOS SOCIAIS

 

Uma diferenciao necessria ao mercado global, atravs do contexto da nova dinmica financeira se fez absoluta e urgentemente necessria, sendo que as caractersticas do fenmeno capitalista e suas implicaes sociais fizeram-se sentir rapidamente pela sociedade e pela massa trabalhadora inclusive dos pases desenvolvidos e dirigentes dessa estrutura. A moderna realidade da produo, da tecnologia e do consumo em escala mundial difundiu uma onda voraz de investimento e multiplicao de capitais atravs dos novos mecanismos financeiros desenvolvidos.

 

Essa modernizao foi possvel justamente pela revoluo nos meios tecnolgicos e de comunicao, possibilitando a fluidez dos capitais e investimentos nos mais variados mercados e pases em torno do mundo. Pode-se observar tal mudana em termos amplos, nas palavras de Paulo Fagundes Vizentini:

 

O desenvolvimento tecnolgico passou a ser obtido atravs da pesquisa cientfica intensiva e previamente planejada, sendo logo empregada na economia, deixando de ser um resultado decorrente da evoluo da produo. Atravs da informatizao, automao e robotizao, a Revoluo Cientfico-tecnolgica desencadeia uma mudana estrutural na produo. [4]

 

 A caracterstica de curto prazo e da busca incessante pelo lucro levou a uma difuso de produtos e uma diviso de tarefas por diferentes pases, objetivando um ganho de escala e especializao, atravs de mo-de-obra barata e diminuio de custos tributrios e ambientais. Alm disso, a flexibilizao trabalhista, somada logstica moderna e informtica, propiciaram a segregao das fases do processo produtivo, criando as atuais montadoras para exportao.

 

Com a nova dinmica de produo acelerada e os investimentos alavancados em busca de lucro imediato, os mercados tornaram-se refns da especulao e da debandada de capitais. Esse fenmeno especialmente prejudicial aos pases mais frgeis, pois seus mecanismos de controle financeiro so sensveis aos movimentos de capital que desequilibram a balana de pagamentos, a dvida pblica e o cmbio, desestruturando assim as contas do pas e gerando quebra de direitos e prejuzo social pela inflao ou desemprego.

 

H argumentos sobre o cenrio internacional que caracterizam a flexibilizao do regramento do fluxo financeiro como uma maneira natural dos investidores internacionais se protegerem dos desequilbrios governamentais e das incertezas geradas pelas polticas pblicas referentes economia. Outra vertente defende uma total desregulamentao do sistema com vistas a uma auto-responsabilizao, num ambiente que naturalmente se tornaria mais ponderado e responsvel por seus atos financeiros.

 

Os ditos monetaristas observam que a atuao do Fundo Monetrio Internacional perdeu relevncia com o fim do controle de taxas de cmbio fixas, advinda do antigo lastro seguido por Bretton Woods. Com a nova configurao dinmica das relaes econmicas e fluxo financeiro, a instituio seria considerada um entrave burocratizante, numa etapa de desenvolvimento do mercado que pela maturidade alcanada, no necessitaria de um controle uniforme externo e provocador de intempries quando aplicado desrespeitando as caractersticas das economias locais.

 

Por outro lado, diversos analistas econmicos pregam a necessidade de maior regulamentao no tocante ao fluxo financeiro, seja por iniciativa do FMI ou por um controle difuso seguindo regras mximas implementadas no contexto das finanas internacionais. Segundo a opinio de Stanley Fischer (GILPIN, 2004), ligado cpula anterior do fundo, h necessidade de promoo de uma flexibilizao ordenada do fluxo de capitais, formando um ambiente econmico global que favorea o estmulo segurana dos compromissos firmados segundo regramento estabelecido, alm de um menor impacto nas economias pequenas frente s eventuais crises, mesmo que somente de confiana.

 

Porm, o FMI enfrenta algumas dificuldades operacionais no trato com as caractersticas dos mercados de capitais na atualidade. Como exemplo, a dificuldade em obter e manejar informaes oriundas de diversos pases que usam tais informaes como arma de barganha financeira, a dificuldade de implantar um cdigo nico de conduta e a impossibilidade do fundo em funcionar como emprestador de ltima instncia. Isso ocorre pelo fato de o fundo no emitir moeda, pois no tem o poder dos bancos centrais. Sendo que o fortalecimento do FMI como controlador do funcionamento dos mercados dependeria da caracterizao dos Estados Unidos como liderana financeira explcita, num mundo de conformao cada vez mais multipolar, tal perspectiva torna-se deveras inslita.

 

Atualmente clama-se por um especial controle do fluxo de capitais no mbito internacional, num cenrio caracterizado por uma multiplicao financeira de capitais, fruto da alavancagem e da velocidade de negociao em diversos mercados. Economistas como James Tobin (GILPIN, 2004) defendem a urgncia na implementao de medidas referentes ao controle do capital de curto prazo, que caracteriza sobremaneira as operaes atuais ocorridas principalmente no mercado de derivativos.

 

 J Paul Krugman (VIZENTINI, 2004) observa a necessidade de pases mais frgeis economicamente desenvolverem defesas quanto ao movimento e eventual fuga de capitais que desetabilizam suas economias e sistemas de produo. A crtica recai fortemente nos denominados fundos hedge, que operam capitais de curto prazo e que operam em diversos mercados e posies financeiras dspares concomitantemente, o que promove certo desequilbrio eventual por sua dinmica de operaes diferenciada.

 

4    O PROTECIONISMO, OS BLOCOS REGIONAIS E OS REFLEXOS SOCIAIS

 

A atual criao de blocos regionais de interesse econmico encontra diversos apoiadores e crticos contundentes. O fenmeno do protecionismo pode ser mascarado por formaes regionais de blocos de interesse econmico e comercial, e, em contraponto, o comrcio internacional pode ser extremamente fortalecido em seu conjunto atravs do fortalecimento desses mesmos blocos, dependendo da estrutura e funcionamento deste no contexto internacional.

 

Os crticos da formao das alianas regionais enxergam interesses exclusivistas e paralisantes do que seria um processo atual de multilateralismo comercial e financeiro, num ambiente de desregulamentao e propiciador de contatos diversificados que aceleram as negociaes segundo uma lgica de mercado livre. Tais unies como observados atualmente, restringem o foco de interesse aos participantes do bloco, que em vez de promoverem o desenvolvimento de polticas generalistas, defendem aguerrida e exclusivamente suas atividades de interesse, seus mercados e vantagens produtivas.

 

 Blocos regionais como os observados na comunidade europia, na regio do pacfico asitico e na Amrica do Sul, ressaltam a fragmentao dos interesses. Estes so fortemente vinculados aos seus modelos produtivos e mtodos de negociao, donde a barganha no mercado internacional fica quase restrita sobreposio de seus interesses e obteno de vantagens pela diminuio de protecionismos alheios. O intuito regionalista bem caracterizado por Gilpin:

 

Todo acerto regional representa a convergncia de esforos de Estados individuais para promover tanto seus objetivos econmicos  e polticos nacionais quanto os coletivos. O regionalismo econmico tem constitudo uma resposta dos Estados-nao a problemas polticos comuns e  a uma economia global altamente interdependente. medida que a economia internacional foi-se tornando cada vez mais estreitamente integrada, os agrupamentos regionais de Estados aumentaram sua cooperao para fortalecer sua autonomia, melhorar seu poder de barganha e promover outros objetivos poltico-econmicos. Na realidade, a regionalizao serve antes para incorporar preocupaes e ambies nacionais do que para proporcionar uma alternativa a um sistema internacional centrado nos Estados.[5]

 

As vrias formas de acordos regionais que hoje se apresentam, como de livre comrcio, mercado nico, unio aduaneira, representam acordos comerciais regionais que so produzidos e beneficiam em ultima instncia as empresas lderes da regio envolvida, como imposio da fora do capital representativo do acordo. Com isso, h um reforo nas tecnologias usadas na produo, vantagem competitiva no processo de exportao e a formao de alianas de atuao naquela mesma regio, numa combinao corporativa regional, o que acima de tudo, a formalizao dos interesses do capital regional frente crescente competio internacional atualmente observada.

 

Assim, tais crticos ao regionalismo econmico enxergam os blocos e ligaes como discriminatrios e criadores de distores que na realidade no beneficiam o funcionamento do mercado global e nem mesmo os interesses sociais e direitos humanos dos trabalhadores do bloco envolvido. Estariam esses interesses pretensamente regionais obstaculizando o real desenvolvimento do livre comrcio internacional, alm de criarem o fortalecimento dos interesses subjacentes ao fortalecimento do bloco, servindo como ferramenta de poderio e manobra aos grupos influentes e detentores do capital regional que atua internacionalmente.

 

No ambiente dos blocos de interesse regional, as discriminaes comerciais seriam insuperveis, pois no estimularia a insero independente dos membros singulares no contexto internacional, prejudicando especialmente os pases sem grande poder de barganha e representatividade no comrcio internacional. Considerando assim, os malefcios do regionalismo no propiciariam a justa distribuio da riqueza nem a possibilidade da diminuio das disparidades regionais de forma racional, diminuindo a evoluo igualitria internacional.

 

Seguindo numa outra vertente, os defensores da formao de blocos regionais no concordam com o potencial discriminatrio ou exclusivo do regionalismo. Estes entendem o fenmeno justamente como viabilizador da insero dos pases menos favorecidos ou materialmente desenvolvidos. A lgica que nenhuma outra conformao possibilitaria que pases menos expressivos participassem dos ganhos em escala e obtivessem poder de negociao como com a formao de blocos.

 

A facilidade da gesto e implementao de mudanas necessrias seria mais facilmente realizada pelos blocos regionais que por organismos internacionais como a Organizao Mundial do Comrcio, onde as peculiaridades regionais no podem ser facilmente abordadas e o trmite deliberativo extenso e complexo. Nessa viso, a criao dos blocos seria a melhor alternativa possvel, pois essas regies j formam um mercado amplo e diversificado para o desenvolvimento dos pases envolvidos. A outra realidade possvel, somente seria o nacionalismo, pois a concretizao de um multilateralismo efetivo estaria muito distante, e mesmo assim no alcanaria economias menores e de pouca representao internacional.

 

5  NOVA ORDEM DO CAPITAL E DESEQUILBRIO SOCIOECONMICO

 

Atualmente h certo consenso quanto necessidade de regulamentao efetiva com relao ao funcionamento dos mercados de capitais. No somente governos, capitalistas e profissionais de mercado observam tal necessidade. Certa conscientizao social j denota que os amplos reflexos do fenmeno carecem de cuidados para que a economia e a sociedade como um todo no padea desse mal. Rolf Kuntz sintetiza o desequilbrio advindo da falta de regulao mercadolgica:

 

Insuficiente at para atender ao interesse estrito do operador financeiro, o mercado tambm no basta para produzir a equidade e o bem-estar. O capital, por ter mais mobilidade, est em posio melhor que o trabalho, para aproveitar as oportunidades e colher benefcios...o capital financeiro tem melhor posio por ser mais mvel. [6]

 

Pode-se dizer que um dos problemas fundamentais relaciona-se instabilidade do sistema financeiro internacional. Com a atual mudana de paradigma quanto ao fluxo de capitais internacionais, num ambiente voltil e especulativo, onde as comodidades tecnolgicas e de comunicao possibilitaram as negociaes em tempo real e a otimizao dos investimentos em escala mundial, a sensao de equilbrio do sistema por vezes representa engano. A aparncia de movimento natural  e equilbrio espontneo por vezes camufla operaes de curtssimo prazo unicamente baseadas nos intempries eventuais e comprometedores da economia como um todo.

 

O sistema de produo atual caracterizado pela diversificao de etapas produtivas, de especializao produtiva por partes e disseminao da produo separada por vantagens comparativas espaciais e temporais, sendo que o capital busca naturalmente as regies e mtodos de produo mais vantajosos para aferio de lucro.

 

Dessa forma, a abundncia de matria prima, a mo-de-obra barata e a facilidade logstica buscam alocaes de capital que proporcionem racionalmente uma estruturao produtiva voltada para o resultado. Tornou-se comum tal produo segmentada, dividindo o processo por vrios pases produzindo componentes, uma central de montagem, espcie maquiadora, e uma central administrativa financeira, geralmente num pas avanado tecnologicamente, num ambiente de influncia poltica e econmica.

 

A lgica da produo seguida pela lgica financeira, que certa medida figura como reflexo da economia denominada real. As estruturas do mercado financeiro internacional representam as operaes de crdito e as fraes de capital societrio, geralmente com operaes sintticas baseadas nos derivativos para alavancagem e proteo de capital.

 

Sendo que a dinmica financeira dos capitais determinada pelos fluxos vigentes, o advento da revoluo cientfico-tecnolgico possibilitou uma integrao quase absoluta entre os mercados mundiais. Este fato gera uma integrao que expe as caractersticas estruturais e momentneas dos mercados particulares aos mercados externos, possibilitando uma tomada de posio instantnea pelos agentes internacionais do capital.

 

Essa integrao somada s facilidades tecnolgicas e de comunicao possibilitaram atuao especulativa voraz e impiedosa por parte dos operadores que, via de regra, representam os capitais transnacionais, como tambm por meio dos fundos soberanos ou fundos hedge, que por fundamento exploram tais desequilbrios entre os funcionamentos dos mercados distintos. Com instrumentos financeiros diversificados para alavancagem e proteo e munidos de todo material tecnolgico que o capital pode proporcionar, agentes internacionais atuam nos mercados de maneira ampla, veloz, especulativa e visando o lucro no curtssimo prazo.

 

Tais procedimentos quase sempre so os causadores de tamanhas preocupaes retromencionadas, pois a flexibilizao atual torna a atividade especulativa ilimitada, despreocupando-se com o equilbrio financeiro dos pases envolvidos. Isso faz com que as finanas dos mesmos sejam expostas aos ataques ou ao desequilbrio econmico que prticas financeiras especulativas podem causar, gerando desequilbrio tambm nas relaes sociais e fragilizao dos fundamentais direitos humanos de natureza econmica.

 

Nesse contexto, o que se entende por equilbrio dos mercados torna-se enganoso, pois pensar que as atividades do mercado se contrabalanam e tornam naturalmente o sistema justo para todos falacioso. Entende-se que o capital financeiro mais bem posicionado que o capital industrial, pois tem maior flexibilidade, e como segue uma lgica de expectativas futuras, no pode necessariamente refletir um equilbrio que aprioristicamente seria inconcebvel no cenrio de volatilidade e dinmica.

 

Assim, necessria seria uma urgente interveno regulatria dos mercados internacionais, uma vez que os interesses do capital circulante so altamente especulativos e naturalmente buscam brechas operacionais que nem sempre representam as melhores vias estruturais para as economias localizadas.

 

 

6 REGULAMENTAO DO FLUXO DE CAPITAL INTERNACIONAL E PROTEO DE DIREITOS SOCIAIS

 

No momento de transio atual as necessidades caractersticas de novas configuraes econmicas e sociais se mostram mais claras e passveis de anlise circunstancial. A caracterizao dos fluxos financeiros e instrumentos envolvidos no sistema mercadolgico global j demonstram falhas sistmicas que podem ser facilmente reconhecveis no sistema social, sendo demonstradas por desequilbrios funcionais das prprias finanas estatais e privadas, alm de crises cambiais, desemprego, inquietude social e desaparelhamento das vias assistenciais mnimas.

 

Sob certo ponto de anlise, o recrudescimento das regras operacionais e programas estritos de legislao pertinentes ao mercado financeiro, economia e s relaes de trabalho geram desconfiana e afugentam os investidores, que buscam fundamentalmente segurana jurdica e flexibilidade negocial. A presso por influncia e margem de manobra financeira bem exposta por Paul Singer:

 

Opem-se a um projeto como esse os que possuem ou gerenciam grandes empresas transnacionais e os que dirigem bancos e fundos internacionais. A desregulamentao financeira essencial a estes interesses porque lhes assegura no s independncia em relao aos governos em cujos pases atuam, mas uma certa superioridade sobre eles. Estes interesses transnacionais controlam uma massa to grande de ativos financeiros lquidos ou quase lquidos, que nenhum governo nacional ousaria desafi-los sem antes fechar-lhes suas fronteiras.[7]

 

Por outro lado, a globalizao torna ainda mais necessria certa proteo social e defesa dos direitos fundamentais providos pelo Estado, no somente baseada no assistencialismo direto, mas inclusive institucionalmente sob forma de parmetros de fluxo de capitais e regras de investimento. O mercado de operao livre reduz todos os fatores aos parmetros de compra e venda, refletidos em preos momentneos, o que faz equivaler mercadorias, recursos naturais e pessoas, numa escala irreal de valorao. A narrativa de vida e a harmonia do conjunto social so pouco valorizados, com conseqncias de cunho desestabilizante  e indutor do reforo dessas injustias.

 

Parece bvio que a desconstruo da estrutura social, o desequilbrio ambiental e o aprofundamento das diferenas circunstanciais entre a evoluo dos Estados reforada pela liberdade excessiva do capital operante sem regulamentao. No cenrio de especulao desmedida e despreocupada de conseqncias remotas ou mesmo prximas, os danos econmicos estruturais, ambientais e sociais so minimizados no confronto com a necessidade de lucros rpidos e mobilidade propiciadora do reforo da situao financeira conquistada.

 

As provveis solues suscitadas encontram barreiras operacionais complexas, como no exemplo proposto por autores que vislumbram uma retomada de Bretton Woods, com sua regulamentao inerente ao fluxo cambial atravs da formao de lastro monetrio. Dificilmente ocorreria uma acomodao por meio de um choque desta magnitude, uma vez que a tendncia percorrida h anos tem vis multiplicador do capital, onde os novos instrumentos financeiros e as operaes regulamentadas pelos mercados internacionais se prepararam para o aumento do fluxo.

 

O retorno do Banco mundial e do FMI como rgos ativos e determinantes na regulamentao financeira internacional tambm parece inslito, levando-se em conta que a multilateralidade da economia global fixou posies comerciais, econmicas e financeiras de deliberao conjunta, num cenrio onde pases antes sem representatividade opinam e pressionam por acordos protetivos e por vezes vantajosos a seus interesses. Sempre foi claro que rgos centralizados de regulamentao sofrem influncia direta de economias desenvolvidas, construindo polticas e regramentos que refletem interesses do capital dominante, como observado em diversos direcionamentos do FMI e Banco Mundial ao longo da histria recente.

 

Assim, seria mais factvel um controle advindo de regulamentao sob novos moldes, sem uma vinculao direta aos modelos monetaristas ou neoliberais que geralmente aumentam o poder de alcance do capital internacional, como os prprios fatos demonstraram. O ponto fundamental seria uma reestruturao completa de conceitos no mbito de tais instituies ou uma nova frmula de deliberao internacional capaz de expressar os interesses menos expressivos, mas que necessitam igualmente equilbrio econmico e social, e, por vezes, mais proteo justamente por suas fragilidades.

 

Em se tratando de funcionamento eficiente do mercado de capitais, naturalmente que defensores do utilitarismo pressupem um ajuste automtico dos desequilbrios e certa inteligncia na direo e fluxo de capitais participantes do sistema. Sob enfoque utilitarista puro, o smart money simplesmente tem a velocidade, a multiplicao e o direcionamento que a lgica da racionalidade oferece, que determina maiores lucros, sendo assim mais eficiente. Por outro lado, fica patente que a lgica pura no se adqua  realidade social de forma automtica, em notria condio de beneficio do capital referente s condies e processos formadores do prprio capital.

 

Importante salientar que as diretrizes governamentais seguiram caminho similar lgica de mercado, numa aluso e prtica de descentralizao, flexibilizao e desregulamentao das relaes, onde os vnculos trabalhistas foram afrouxados para possibilitar uma expanso da base produtiva, custa de insegurana social e desemprego.

 

 O Estado se desvincula tambm do papel de protetor da sociedade, flexibilizando as medidas de assistncia e previdncia social, num contexto de privatizao das instituies e terceirizao das atividades desenvolvidas em prol da defesa da cidadania. A importncia do trabalho como elemento essencial da vida em sociedade demonstrada por Karl Polanyi:

 

O postulado de que tudo que comprado e vendido tem de ser produzido para a venda enfaticamente irreal no que diz respeito a eles. Trabalho apenas um outro nome para a atividade humana que acompanha a prpria vida, que, por sua vez, no produzida para a venda, mas por razoes inteiramente diversas, e essa atividade no pode ser destacada resto da vida, no pode ser armazenada ou mobilizada.[8]

 

 Em certa medida tais atitudes desoneram a mquina estatal factualmente, porm a um custo social bastante elevado, pois as caractersticas do prprio funcionamento econmico mostram que o equilbrio de oportunidade, lucros e expectativas so dspares. Isto provoca desamparo em populaes sem condies de, ao menos, pertencer nova lgica do capital, muito menos se defender de circunstncias adversas e eventualmente perversas. Cabe, sem dvida, maior rigor em defesa dos direitos humanos fundamentais referentes aos temas sociais e econmicos.

 

7   OS GRUPOS SOCIAIS E O SISTEMA PRODUTIVO DA NOVA ECONOMIA

 

A caracterizao dos grupos sociais na moderna sociedade realmente se tornou tarefa complexa por no ser possvel uma diviso estanca. O sistema econmico produtivo foi estruturado e funciona sob nova lgica operacional, sob nova fundamentao e em busca de novas aspiraes dantes inconcebveis  e irrealizveis. De acordo com esse novo paradigma, a prpria existncia dos entes econmicos nesse novo cenrio faz com que as instituies ajam de uma maneira flexvel e imediatista, por vezes mal interpretadas e sob a pecha de desumanidade.

 

Os interesses do novo capital se relacionam diretamente com a busca de lucros de curto prazo, num ambiente de pulverizao representativa desse prprio capital, uma vez que os acionistas e investidores no se vinculam formao nem manuteno da existncia da empresa. Distribuies de dividendos so enfocadas como medida de satisfao  conjuntural, pois remuneram os participantes do capital circunstancialmente, que, por vezes, j no mais participam numa prxima oportunidade.  Em momento posterior, j exploram outro ramo em outra empresa, no guardam mais vnculos com aquela sociedade, porm j foi criado um vnculo de confiana para eventual futura insero de capital, ou seja, configura-se especulao de curto prazo e alta volatividade.

 

Em diversos casos, o interesse se concentra na mera especulao de compra e venda, descartando-se a preocupao com distribuio por lucro do capital (dividendo), almejando ganhos financeiros advindos da flutuao de cotaes dos valores envolvidos. Obviamente, tal situao reflete o pice da especulao financeira, num movimento de capital excessivamente de curto prazo, avassalador para as configuraes econmicas de diversos Estados.  Isto configura uma lgica financeira de desvnculo total entre capital participante e o interesse no prprio empreendimento, gerando a cognominada economia financeira, em descompasso com a economia real.

 

Existem diversas crticas relacionadas ao papel do Estado na proteo dos direitos socioeconmicos e formulao de polticas sociais favorecedoras de desregulamentao econmica, financeira e trabalhista. Depreende-se da que a formulao de tais polticas pode ter sido influncia da presso de grupos de interesse do capital nacional e internacionalmente. O Estado teria se tornado conivente com a estrutura de produo capitalista liberal e com o modo de funcionamento do mercado, propugnando aes de desregulamentao e flexibilizao por via de interesses, alm de seguir ele prprio, como tendncia, essa descentralizao, terceirizao e flexibilidade de regramentos.

 

O reflexo social de tal postura de aceitao das leis do mercado representa indubitavelmente a hegemonia do capital financeiro, num ambiente que segue a lgica do domnio, da especulao e do desligamento das responsabilidades sociais. Num sistema de produo e distribuio de riquezas segregador, a fratura social se torna inevitvel. Nem todos os membros sociais encontram-se aptos a pertencer ao novo modelo capitalista, de informao, velocidade, e alto preparo. Grande parte dos formadores da sociedade sequer foi inserida, ou galgou a posio de participante efetivo do grupo social, onde colocado formalmente como cidado e consegue suprir suas necessidades bsicas de vida.

 

Principalmente nos pases menos desenvolvidos, grande parcela social no possui bases materiais ao menos para alimentao decente, muito menos sade, educao e preparo profissional para se integrar ao novo mercado e ao modelo de funcionamento do capitalismo global. Naturalmente tal cenrio gera forte excluso social, no somente econmica e financeiramente explicitado. Porm, numa sociedade de relaes e fenmenos complexos, no se pode mitificar a excluso, conforme Robert Castel:

 

Mas tudo se passa como se o discurso sobre a excluso tivesse representado um adendo associado a uma poltica que aceitava a hegemonia de leis econmicas e os ditames do capital financeiro. Sem dvida, no fcil ( o mnimo que se pode dizer) conciliar, de um lado, as exigncias da competitividade e da concorrncia e, de outro, a manuteno de um mnimo de proteo e de garantias para que a conquista de uns no seja paga pela anulao de outros (para que os in no produzam os out)[9]   

 

Sociologicamente falando, num mundo onde as necessidades bsicas so incompletas, a sofisticao exigida pelo novo capitalismo e as vantagens com ele possivelmente aferidas so privilgio de certo grupo social que domina os meios de insero. Estes propagam tais diferenciaes como meio de alcanar o lucro e manter a ordem vigente por meio da atualizao dos modelos seguidos e das tecnologias que o capital proporciona, num sistema onde a informao determina o comando.

 

O grande desafio atual , realmente, caracterizar o que seria excludo e includo no sistema liberal do capitalismo. A dinmica assumida pelas formas de busca por lucro e funcionamento produtivo alou os membros do grupo social em instabilidade constante, pois as caractersticas e as necessidades mudam constantemente, o capital assume novas formas, os fluxos determinam novas realidades instantneas, e a flexibilizao do mercado de trabalho coloca todos como parceiros circunstanciais, no empregados vinculados e protegidos.

 

O Estado seguiu a mesma lgica de percepo da realidade de mercado e automaticamente desamparou cidados em seus direitos socioeconmicos fundamentais, que pela total falta de meios no podem se esquivar da situao de excluso que inerente aos movimentos de mercado altamente flexvel e desregulamentado. O includo de hoje pode ser o excludo de amanh.

 

CONCLUSO

 

O fenmeno do capital nos moldes de funcionamento do mercado e do fluxo de capital nos moldes atuais caracteriza um modelo social diferente do verificado nas diversas etapas de construo do capitalismo. Sistemas de produo econmica e arranjamento social at ento baseados na criao e circulao de mercadorias de forma clssica foram substitudos pela lgica financeira calcada em tecnologia e na velocidade de comunicao.

 

Novos instrumentos financeiros e novas necessidades foram criados e fomentaram o fluxo diferenciado do capital, gerando uma nova realidade nas relaes sociais, na caracterizao dos direitos fundamentais da pessoa humana e nos vnculos da advindos. A flexibilizao trabalhista e assistencial trouxe certa instabilidade ao mercado de trabalho e por via de conseqncia excluiu grande parcela de pessoas do caminho evolutivo experimentado pelo capitalismo, transformando a sociedade num grupo por vezes refm do mercado.

 

Fica explcito que a liberdade do capital no trouxe necessariamente maior liberdade aos indivduos, tampouco promoveu maior margem de manobra aos participantes do sistema que no dominam as tcnicas ou que efetivamente no possuem o capital necessrio especulao financeira desvinculada.

 

Defensores de um novo sistema de regulamentao dos mercados de capitais observam que nos moldes de atuao atuais do capital no haveria possibilidade de refreamento especulativo ou de equilbrio financeiro numa lgica de curto prazo e falta de regramentos do fluxo principalmente internacional. Obvio que os maiores prejudicados em nvel macroeconmico so os pases pobres e em desenvolvimento, onde a estrutura econmica e social no possibilita uma proteo adequada aos infalivelmente excludos da nova dinmica, sob o enfoque de seus direitos fundamentais.

 

Internamente, a massa desvalida caracterizada como desprovida de meios materiais, tecnolgicos, culturais e sociais de insero no sistema produtivo e na vantagem advinda do fluxo dos capitais. Dessa forma, numa realidade que reiteradamente segrega, o Estado adotou posturas de desregulamentao e flexibilidade das relaes, deixando desamparados amplos contingentes da sociedade e seguindo a lgica de funcionamento dos mercados.

 

Em aspectos de dinamismo e enxugamento da mquina estatal houve certo ganho, porm o bem estar generalizado o fundamento da atividade estatal, que parece negligenciar o efeito negativo que uma sistemtica liberal causa maioria da populao, onde o aparente abandono e a falta de assistncia digna refletem a disparidade dos interesses envolvidos, onde o mercado acaba quase sempre privilegiado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

 

CASTEL, Robert. Desigualdade e a questo social. So Paulo: Educ, 1997.

 

FARIA, Jos Eduardo e KUNTZ, Rolf. Qual o futuro dos Direitos? Estado, Mercado e justia na reestruturao capitalista. So Paulo: Max Limonad, 1992.

 

GILPIN, Robert. O Desafio do Capitalismo Global. So Paulo: Record, 2004.

 

KEYNES, J. M. The general theory of investment, employment and money. New York: Hatrcourbrace & co., 1986.

 

POLANYI, Karl. A Grande Transformao: As origens da nossa poca. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

 

SCHUMPETER, J. A. A teoria do desenvolvimento econmico. So Paulo: Abril Cultural, 1982.

 

SENNETT, Richard. A Cultura do Novo Capitalismo. So Paulo: Record, 2006.

 

SHARPE,W.. Alexander, G. J; Bailey. J. V. Investments. New Jersey: Prentice Hall, 1995.

 

SINGER, Paul. O Mundo Financeiro. So Paulo: Contexto, 2000.

 

VIZENTINI, Paulo Fagundes. O Descompasso entre as Naes. So Paulo: Record, 2004.

 

 

 



[1] Advogado, Consultor Financeiro, membro autorizado pela Comisso de Valores Mobilirios do Brasil (CVM). Doutorando em Direito Civil pela Universidad de Buenos Aires UBA. Mestre em Direito, Relaes Internacionais e Desenvolvimento pela Pontifcia Universidade Catlica PUCG. Ps-Graduado em Direito Pblico-Financeiro pela Escola Paulista de Direito EPD. Ps-Graduado em Direito Processual pela Universidade URV/Axm. Ps-Graduado em Direito Pblico pela Universidade UCD Salesian. Bacharel em Direito pela Pontifcia Universidade Catlica PUCG.

[2] GILPIN, Robert. O Desafio do Capitalismo Global. Editora Record. So Paulo. 2004. Pg. 51

[3] SENNETT, Richard. A Cultura do Novo Capitalismo. Editora Record. So Paulo. 2006. Pg. 46

[4] VIZENTINI, Paulo Fagundes. O Descompasso entre as Naes. Editora Record. So Paulo. 2004. Pg. 24

[5] GILPIN, Robert. O Desafio do Capitalismo Global. Editora Record. So Paulo. 2004. Pg. 65

[6] FARIA, Jos Eduardo e KUNTZ, Rolf. Qual o futuro dos Direitos ? Estado, Mercado e justia na reestruturao capitalista. Max Limonad. So Paulo. 1992. Pg. 49

[7]  SINGER. Paul. O Mundo Financeiro. Editora Contexto. So Paulo. 2000. Pg. 146 

[8] POLANYI, Karl. A Grande Transformao: As Origens da Nossa poca. Editora Campus. Rio de Janeiro. 2000. Pg. 84 -85

[9]  CASTEL, Robert. Desigualdade e a Questo Social. Editora Educ. So Paulo. 1997. Pg. 24