|
|
Wilson Alves de Souza Acesso justia Salvador, Dois de Julho, 2011, 369 pp |
|
|
Desde a mais remota noite dos tempos, desde os
primeiros e mais arcaicos documentos que temos ao respeito, foi bastante
claro para as pessoas que de pouco servem os direitos, mesmo reconhecidos em
pedras brilhantes, em tbuas de bronze, em discursos bonitos de chefes
simpticos, se na hora da verdade, quando essas prerrogativas devem ser
reclamadas, no h como faz-lo. Aquele velho e nobre menhir preto, que hoje,
longe da sua Mesopotmia nativa, nos olha espantado numa sala do Louvre,
curiosamente chamado, sem dvida nos eflvios da obra napolenica, Cdigo de
Hamurabi, falava disto no texto inicial, que as tradues acostumam
intitular como Prlogo. Seja que essa rocha csmica contenha normas (como
sempre se acreditou) ou doutrina (como hoje tendemos a pensar), o que certo
que os juristas que a criaram tinham perfeitamente claro que a chave no
passava por escrever lindos preceitos, seno por garantir a chegada efetiva
aos juzes. A questo do acesso justia mltipla e complexa.
Aqui toca aos direitos humanos, l ao direito processual, mais l ao
constitucional. Possui, alis, facetas sociolgicas muito destacadas,
aspectos econmicos inevitveis, e mais ngulos ainda. Precisa-se, portanto,
da pena dum cientista com formao ampla, profunda, livre, aberta, sem medo
da abordagem interdisciplinar. Ou seja, a pena de algum como o prestigiado
magistrado baiano Wilson Alves de Souza, Doutor e Ps-Doutor, autor j de
outras excelentes obras, festejado professor universitrio de graduao e
ps-graduao, no Brasil natal e na Argentina (Universidade de Buenos Aires). Neste libro de agradvel leitura (pois o estilo do
professor Wilson revela um apaixonado cultor da literatura brasileira, em
especial dos romancistas baianos), renem-se todas as perspectivas da
temtica do acesso justia, tratadas com abundancia de fontes, aguda
atitude crtica (afinal, ele um experiente juiz) e originalidade. Esgotar o
assunto impossvel, mas que estamos diante duma joia, que toda biblioteca
jurdica deveria ter, algo do que no tenho dvidas. Ricardo
Rabinovich-Berkman |
||